15/06/2008

Quimera II

Com a sua velha caneta, que há anos habitava o lado esquerdo da sua secretária, escreveu as palavras que o coração lhe ditava, muitas sem sentido, sem virgulas ou pontos que pudessem ditar o seu fim. Terminou apenas quando a mão parou de escrever. Singelamente, pousou a caneta, levantou-se, abriu a janela, sentou-se na cadeira que baloiçava junto a ela, olhou o sol e acabou por adormecer...
Tentámos, por diversas vezes, ler o que tinha escrito mas nunca foi possível. O papel era preto, só ele sabia o que tinha escrito e isso tinha levado consigo...
Apenas com o toque suave dos dedos percebíamos que alguém ali escrevera. O relevo indicava linhas tortas, letras pequenas e arredondadas, como se de um desenho se tratasse.
O que quer que tenha escrito, tinha sido por amor...